segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

O dia 3 de dezembro e os 18 anos da Vida Brasil

Artigo produzido por Damien Hazard e publicado no jornal A Tarde, no dia 3 de Dezembro de 2014:

O dia 3 de dezembro foi instituído como Dia Internacional das Pessoas com Deficiência em outubro de 1992, em assembleia geral da ONU. Encerrava-se a “Década das Nações Unidas das Pessoas com Deficiência”. A Década tinha começado no auge do modelo médico da deficiência, que buscava desenvolver soluções focadas na deficiência da pessoa e priorizava políticas e serviços de saúde, reabilitação, educação e assistência social, em regime de segregação institucional. Mas o período acabou provocando o surgimento pelo mundo de novos atores e principalmente dos movimentos de pessoas com deficiência. No Brasil, as primeiras organizações, separadas por tipo de deficiência, também apareceram nos anos 80 em diversas cidades do país, a exemplo, em Salvador, da Associação Baiana de Deficientes Físicos (Abadef), do Centro de Surdos da Bahia (Cesba) e da Associação Baiana de Cegos (ABC).

Com o movimento em eclosão pelo mundo, as vozes dessas pessoas passaram a ser ouvidas e a desenhar outros conceitos: vida independente, autonomia, eliminação de barreiras, modelo social da deficiência... O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência apareceu como expressão desses novos valores, com o objetivo de “construir uma sociedade para todos para o ano 2010.”

O “3 de dezembro” foi comemorado pela primeira vez em Salvador em 1997. A associação Vida Brasil foi precursora na introdução da temática da acessibilidade na capital baiana ao apresentá-la como uma questão de direitos humanos, em um seminário organizado em parceria com o extinto Comdef (Conselho Municipal de Deficientes). O evento reuniu as principais lideranças de organizações da área da deficiência a quem deu vozes para debater sobre as barreiras existentes e caminhos para vencê-las. Reiterado nos anos seguintes, enriquecido pela realização de pesquisas pioneiras sobre a acessibilidade e pelo intercâmbio com experiências de outras cidades e países, o Seminário de Acessibilidade e Cidadania de Salvador tornou-se um marco na capital baiana, palco da expressão cidadã e democrática das pessoas com deficiência acerca das políticas urbanas e de desenvolvimento.

Nesse ano de 2014, o “3 de dezembro” será marcado pela realização de uma sessão especial que irá comemorar os 18 anos da Vida Brasil. O evento, que irá ocorrer na Câmara Municipal de Salvador, às 19h, é promovido pelo vereador Sílvio Humberto e constitui-se como um reconhecimento pela atuação da ONG na promoção dos direitos humanos e da diversidade humana, e em alusão a presente data, pela sua contribuição na disseminação de uma cultura de acessibilidade na cidade de Salvador, na Bahia, no Brasil e no mundo.

A Vida Brasil reuniu, qualificou e assessorou o movimento das organizações de pessoas com deficiência em Salvador e na Bahia durante mais de 15 anos. Da articulação entre as entidades, nasceu em 1999 a COCAS – Comissão Civil de Acessibilidade de Salvador, uma rede de organizações que desenvolveu um papel fundamental de intervenção unificada na cidade, até o final da década passada. A Vida Brasil também coordena o projeto e o bloco carnavalesco Buscapé: foram reunidas organizações voltadas para crianças e adolescentes e para pessoas com deficiência, em um projeto de educação artística e de cidadania, como exemplo inédito de uma identidade cultural baseada na valorização da diversidade humana. Desenvolve ainda projetos e ações de economia solidária, apoiando grupos comunitários, principalmente formados por mulheres negras, na estruturação de empreendimentos coletivos e autogestionados de geração de renda.

Ao longo dos seus 18 anos, a Vida Brasil destacou-se pela sua capacidade de articulação com outros movimentos, apontando caminhos para construção de uma sociedade inclusiva e democrática. Nos últimos anos, a experiência sistematizada da organização baiana tem sido levada para outros países, principalmente da África e da América Latina. Aqui e lá, o dia 3 de dezembro é uma oportunidade para ecoar a necessidade de um outro mundo possível, que em muitos aspectos já começou.

Damien Hazard
Coordenador da Associação Vida Brasil e diretor executivo da Abong- Associação Brasileira de ONGs

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Nota de Repúdio ao Deputado Jair Bolsonaro



Ontem, 10 de dezembro, se comemorou o Dia Internacional de Direitos Humanos. Para nós, da Vida Brasil, esse tema é muito caro, pois é justamente por ter os Direitos Humanos como princípio, que norteamos as nossas atividades com o objetivo de construir uma sociedade mais sustentável, inclusiva e democrática.

No entanto, uma data que nos traria tantos motivos para comemorar, foi manchada por um episódio lamentável que ocorreu na Câmara dos Deputados, no dia 9 de Dezembro, em Brasília.

O deputado federal Jair Bolsonaro, durante o seu discurso, afirmou que "não estupraria Maria do Rosário porque ela não merecia". A deputada citada é ex-ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

A fala do deputado Jair Bolsonaro não representa apenas a quebra de decoro parlamentar, nem uma ofensa pessoal à ex-ministra, mas também significa uma apologia a uma cultura machista que resulta em milhares de estupros e violência contra a mulher anualmente no país.

A Vida Brasil que, desde sua origem, busca combater o machismo, as opressões de gênero e a violência contra a mulher, REPUDIA as declarações de Jair Bolsonaro.

Esperamos que a Câmara dos Deputados tome atitudes regimentares cabíveis, que o Partido Progressista se posicione, que a Justiça julgue, e que a sociedade também se mobilize contra a conduta do deputado Jair Bolsonaro e contra a cultura de violência contra a mulher estimulada por ele.

Nós da Vida Brasil torcemos para que o deputado seja responsabilizado e continuaremos trabalhando em prol dos Direitos Humanos para que episódios como esse nunca voltem a ocorrer.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sessão Especial comemorou os 18 anos da Vida Brasil

“Viva a Vida Brasil”. Foi com versos de hip-hop e percussão, que a Oficina de Investigação Musical, orquestrada pelo Mestre Bira Reis deu início aos trabalhos da Sessão Especial da Câmara Municipal, que homenageou os 18 da Vida Brasil.

Apresentação musical do Mestre Bira Reis e a OIMBA


Foi o começo da festa, agendada para a data 3 de Dezembro de 2014, justamente quando se comemora o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Nesse mesmo dia, em 1997, a Vida Brasil realizou o primeiro Seminário de Acessibilidade e Cidadania em Salvador, evento que passou a integrar o calendário anual da cidade, chegando em 2013 com dezesseis Seminários realizados. A atividade não significou apenas um marco para o movimento social de organizações que atuam pela inclusão e direitos de pessoas com deficiência, mas também uma forma de pautar para a sociedade a existência dessas pessoas, que na década de 1990 ainda eram invisibilizadas e ignoradas pelo poder público e pelo restante da sociedade.

Esse ano o “3 de Dezembro” não teve o tradicional Seminário. Mas como a luta e a festa nunca podem parar, os 18 anos da Vida Brasil serviram para reunir pessoas e organizações que fazem parte de todo esse processo, em que a história da Vida Brasil se entrelaça com a história de tanta gente que se relacionou com a instituição ou que esteve junto em diversos trabalhos voltados para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e democrática.

Damien Hazard, coordenador da Vida Brasil, trazendo um breve histórico da organização


Mas quem costuma fazer a festa não é só o anfitrião, mas também os convidados. Por isso, a celebração da maioridade da Vida Brasil contou com uma mesa que tentou contemplar toda a diversidade que sempre foi uma das principais características da organização. O vereador Sílvio Humberto foi quem presidiu a sessão e lembrou de projetos antigos, que contaram com a participação do Instituto Steve Biko, em que o vereador é presidente. A secretária estadual de Justiça e Direitos Humanos, Selma Pereira, também esteve presente e ressaltou os desafios do poder público. Numa fala emocionada, a vereadora Aladilce Souza criticou as deficiências da cidade de Salvador e parabenizou a aniversariante da noite.

Representado a APALBA (Associação de Pessoas com Albinismo no Estado da Bahia), esteve Joselito Luz, que lembrou a importância da Vida Brasil para o surgimento da associação. Zenira Rebouças, da FCD (Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência da Bahia), destacou o surgimento da COCAS (Comissão Civil de Acessibilidade de Salvador) e recordou diversos momentos de atuação conjunta, ao longo dos anos.

Joselito Luz destacando a importância da Vida Brasil para a APALBA


Eliana Rolemberg, representando a CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviços) e Maria de Fátima Nascimento da Abong (Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais) destacaram a participação da Vida Brasil em discussões e trabalhos voltados para a valorização dos direitos humanos, e também foi citado o papel fundamental da Vida Brasil na promoção da participação de diversas entidades baianas no Fórum Social Mundial.

Vilma Reis, do Iceafro (Instituto de Educação para a Igualdade Racial e de Gênero) citou o envolvimento da Vida Brasil em diversas temáticas do movimento social, como em questões de raça e gênero. Gilcinéia Barbosa, do CAMA, lembrou a relação antiga com a Vida Brasil e os projetos atuais, como o Eco Folia Solidária, realizado no Carnaval. E Ana Caminha, representando a Rede de Alimentação do Estado da Bahia, lembrou a participação da Vida Brasil na defesa pelos moradores da Gamboa, há uma década, além do projeto atual de Cozinhas Solidárias, que fortaleceu diversos grupos de Economia Solidária.

A poetisa a associada da Vida Brasil, Ametista Nunes, recitando "O Estatuto do Homem", de Thiago de Mello


Em meio às falas e boas recordações, a poetisa Ametista Nunes, da Vida Brasil, recitou versos de Thiago de Mello: “Fica decretado que agora vale a verdade, agora vale a vida e de mãos dadas marcharemos todos pela vida verdadeira”.

E em depoimento emocionante, o escritor Fausto Joaquim lançou o seu livro “A era da pós-deficiência”. Ele arrancou aplausos de todos os presentes ao afirmar que a Vida Brasil faz parte de sua própria vida.

O escritor Fausto Joaquim lançando o livro "A Era da Pós-Deficiência"


A diversidade de temas, atividades e organizações que a Vida Brasil se envolveu durante os seus 18 anos, também foi destacada. Damien Hazard, coordenador da Vida Brasil, lembrou que a instituição não se resume somente à atuação no segmento de acessibilidade, mas alcança algo mais amplo, sempre com o princípio de construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e democrática. Débora Rodrigues, coordenadora do programa de Economia Solidária, ressaltou a importância das pessoas que passaram pela Vida Brasil e que ainda trabalham internamente ou externamente junto com a instituição.

“Ao receber os amigos para uma comemoração, a Vida Brasil recebeu a diversidade de pessoas e entidades. Foi emocionante, pois o encontro foi dominado pelo clima de afetividade entre um público acostumado ao cotidiano de embates pelos direitos. Foi uma celebração da Vida e da esperança de um futuro melhor”, afirmou Heron Cordeiro, coordenador do programa de Acessibilidade da Vida Brasil.

Heron Cordeiro, coordenador do programa de Acessibilidade da Vida Brasil


Ao final da sessão, Islândia Costa e Dulce Oliveira entregaram homenagens a mais de 30 convidados. Dentre eles, Jorge Conceição, instrutor pedagógico do Buscapé, um dos projetos mais importantes da história da Vida Brasil, que durante todo o ano trabalha com diversos jovens, para no carnaval levar às ruas o bloco mais inclusivo e democrático de Salvador: o bloco Buscapé.

Pessoas e representantes de instituições que fazem parte da história da Vida Brasil foram homenageados, a exemplo da CONEN, CRIA, Rede de Alimentação de Economia Solidária, APADA, Instituto de Cegos da Bahia, Iceafro, CAMA, CESE, Abong, APALBA, FCDBA, OIMBA, CRPD, COCAS, Belov Engenharia, Grupo Tortura Nunca Mais, UNEGRO, Cecup, Instituto Steve Biko, além de Luiza Câmera, Ana Maria Xavier, Patrícia Braille, Giése Nascimento, Zezéu Ribeiro, Zé Mário, vereadora Aladilce Souza, deputado Yulo Oiticica, Marta Rodrigues, Bárbara Alves e o vereador Sílvio Humberto.

Islândia Costa e Dulce Oliveira entregam as homenagens para representantes de instituições parceiras


Ao final da sessão, a confraternização continuou no pátio da Câmara. O dendê do acarajé da Guia de Luz e a alegria dos participantes deram o tempero final da festa de 18 anos da Vida Brasil.

Confiram o álbum de fotos da sessão, clicando aqui.






A Vida Brasil agradece a todas e todos que colaboraram para a realização dessa Sessão comemorativa:

à toda equipe e associados da Vida Brasil, em especial aos que trabalharam diretamente no processo – Dulce, Sandra, Alex, Islândia, Damien, Heron, Débora, Ametista, Laila e Jaílton;

ao vereador Sílvio Humberto e todas as suas assessoras, em especial a Juliana Salmeiro;

à Câmara Municipal de Salvador, em especial aos garçons, técnicos, cerimonial e demais funcionários que trabalharam no evento;

ao Mestre Bira Reis e aos músicos que se apresentaram na Sessão;

ao escritor Fausto Joaquim;

aos participantes da mesa diretora da Sessão;

aos convidados que compareceram;


e à todos e todas que, mesmo sem poder comparecer, enviaram as congratulações e energias positivas para que a Sessão fosse realizada com toda a alegria que o momento merecia.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Sessão Especial comemora os 18 anos da Vida Brasil




No dia 3 de Dezembro de 2014, será realizada uma Sessão Especial na Câmara de Vereadores de Salvador, em comemoração aos 18 anos da Vida Brasil. O evento começará às 19h e foi convocado pelo vereador Sílvio Humberto.

A data escolhida coincide com o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, em que, historicamente, a Vida Brasil sempre realizou o Seminário sobre Acessibilidade e Cidadania, um dos eventos de maior referência para o movimento social das pessoas com deficiência na Bahia. Esse ano a realização do Seminário foi substituída pela Sessão Especial comemorativa.

Mas não é só pelos trabalhos em prol da acessibilidade e dos direitos das pessoas com deficiência que a Vida Brasil se destaca. Ao longo de seus 18 anos, foram diversos projetos realizados, como o Buscapé, que leva a diversidade para as ruas do Pelourinho durante o carnaval e parte de uma perspectiva de educação inclusiva.

Outro programa desenvolvido pela organização é o de Economia Solidária, com diversos projetos que visam fortalecer cooperativas e à própria prática de um modelo econômico mais inclusivo, sustentável e democrático.

Ou seja, o que não faltam são motivos para comemorar a “maioridade” da Vida Brasil. Mas para a celebração ser completa, é indispensável a participação de todas e todos que fazem parte da história da organização.

Por isso, a Vida Brasil faz o convite para todas e todos participarem da Sessão Especial realizada no dia 03 de dezembro, para festejar os 18 anos de muita história para contar.

Quando: 3 de dezembro de 2014, às 19h
Local: Câmara de Vereadores de Salvador – Praça Thomé de Souza, s/n, Centro, Plenário Cosme de Farias
Contato: 71 3321-4688/4382 (Vida Brasil)

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

REUNIÃO DE MOBILIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL BAIANA SOBRE O PROCESSO DO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2015

A Vida Brasil/Abong e a Conen convida todos e todas para participar da reunião que ocorrerá no dia 17 de Novembro de 2014, das 17h às 19h, na sede da Vida Brasil, para debater os processos de mobilização das organizações e dos movimentos sociais baianos em torno do Fórum Social Mundial (FSM), além de informar sobre o processo de mobilização no Brasil e no mundo. O próximo FSM ocorrerá novamente em Tunis, na Tunísia, de 24 a 28 de março de 2015. Aguardamos vocês.

Quando: 17 de Novembro
Horário: 17h-19h
Local: Sede da Vida Brasil - Rua da Mouraria, 74, Nazaré, Salvador/BA (ao lado do quartel do Exército)
Contato: 3321-4688 e 3321-4382 (Vida Brasil)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Vida Brasil realiza oficinas com motoristas e cobradores durante a SIPAT



“Tira o pé do bolso, motô! Leva o buzú, todo mundo aqui tem horário... esse pessoal atrasa lado tem que ficar em casa!” Com essa e outras frases que serviram de provocação para iniciar uma prática sobre como lidar com pessoas com deficiência no transporte coletivo, a Vida Brasil facilitou uma oficina promovida pela empresa BTU durante a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (SIPAT).

A partir de uma discussão inicial em sala, os cerca de 80 motoristas e cobradores, funcionários da empresa de transporte BTU, puderam tirar dúvidas e experimentar situações vividas por pessoas com deficiência. A vivência ocorreu nas instalações da empresa para que eles pudessem identificar barreiras físicas e foi finalizada dentro de um ônibus.



Segundo um dos participantes “Muitas vezes não sabemos como ajudar o deficiente, no ano passado vocês conversaram com a gente e isso foi muito bom no meu dia-a-dia, quando soube da palestra esse ano, resolvi ficar”. Nesse sentido, buscando dar uma continuidade ao treinamento, a Vida Brasil ministrou novamente, nesse ano, a oficina.


A oficina sobre como lidar com as pessoas com deficiência no transporte ocorreu no final de outubro, dentro da Semana Interna de Prevenção de Acidentes que teve como tema SEGURANÇA, PRIORIDADE DE QUEM AMA A VIDA. Quem ministrou as atividades foram os coordenadores do Programa de Acessibilidade da Vida Brasil, Islândia Costa e Heron Cordeiro, e Wilson Cruz, associado da Vida Brasil.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Vida Brasil toma posse no Conselho Municipal da Cidade

Créditos: Agecom / Prefeitura de Salvador


No dia 28 de outubro, foram empossados os 41 representantes do Conselho Municipal da Cidade, em uma cerimônia realizada no Centro Cultural da Câmara. Compõem o Conselho representações do poder público, empresários, universidades, movimentos sociais e organizações não-governamentais eleitos durante a 5ª Conferência Municipal de Salvador. A Vida Brasil é uma das entidades que participam do Conselho.

De acordo com o prefeito ACM Neto, que esteve presente para a assinatura de posse, o Conselho servirá para discutir projetos urbanísticos de Salvador. O prefeito destacou a importância que as entidades terão para definir o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e a Lei de Ordenamento do Uso do Solo do Município (Louos).

No entanto, o caráter do Conselho é apenas consultivo, o que não garante que as orientações dadas pelos conselheiros sejam, de fato, levadas em conta na elaboração dos projetos. De acordo com a indicação do Ministério das Cidades, os Conselhos deveriam ter caráter deliberativo.

Para Edmundo Xavier, que esteve presente na cerimônia, representando a Vida Brasil “a expectativa é que o Conselho de fato funcione para estabelecer políticas de desenvolvimento urbano”. Edmundo ressaltou que a participação no Conselho aumenta ainda mais a necessidade de articulação entre os representantes e destacou “a responsabilidade que os movimentos sociais participantes terão para defender as pautas relacionadas à acessibilidade e a um modelo urbano inclusivo, sobretudo para os moradores das regiões periféricas da cidade”.

Ainda não foi agendada nenhuma reunião, mas a promessa é que ainda em 2014 os novos empossados iniciem as atividades dentro do Conselho.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014


É necessário falar a mesma língua para nos comunicarmos? 


Através do intercâmbio promovido pela ONG Vida Brasilprojeto Buscapé e Oficina de Investigação Musical, jovens percussionistas do Purificayê, coordenados por seu diretor Black e Roberto Aranha, educador do Projeto Buscapé, fizeram um encontro com o Bloco Malagasy, um grupo de jovens meninas percussionistas de Madagascar (África) que chegaram no Brasil para um intercâmbio cultural relacionado com música.

Os grupos tocaram juntos no final do mês de julho (26), nas ruas do Pelourinho e o evento foi encerrado na OIMBA com a participação de diversas organizações.

São dois grupos de jovens com percursos atípicos, mas com uma paixão comum pelas percussões e mais especificamente pelo samba-reggae. Eles mostraram que a música é em si uma linguagem intercultural que supera os limites e as diferenças.

O que eles vão levar dessas trocas?

[clique no link abaixo para ver o vídeo!]

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Lei de cotas completou 23 anos!


Esse ano, a Lei 8213/91, mais conhecida como a Lei de Cotas para a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, completou 23 anos. O que mudou desde então no mundo do trabalho? Quais os avanços que a legislação trouxe para a vida das pessoas com deficiência?

Para tentar responder a essas perguntas a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego na Bahia (SRTE / BA), por meio da sua câmara técnica, realizou na primeira semana de agosto, o seminário "Diálogos Sobre a Inclusão das Pessoas com Deficiência no Mundo do Trabalho - Análise dos 23 Anos de vigência da Lei de Cotas " O evento ocorreu na Biblioteca Pública do Barris, com a participação de diversas organizações e pessoas interessadas na questão.


“A importância da arte no processo educativo” foram algumas das palavras trazidas pela Dra Isa Simões - Superintendente Regional do Trabalho na Bahia, quando abriu os trabalhos, que, logo após, foram lindamente complementadas pela dança do grupo Opaxorô da Apae. O seminário seguiu com questões muito importantes trazidas pelos palestrantes, tais como a importância do trabalho para a dignidade humana e aceitação das diferenças, pelo Doutor Marcus Welby, que abrilhantou o evento com muita arte através de seu companheiro violão. Foram trazidos pelo SINE/BA informações sobre o dia “D” de Contratação das Pessoas com Deficiência e Reabilitados e seus principais desafios. Um panorama sobre a contratação e cumprimento da lei de cotas foi apresentado por Graça Porto da SRTE. Graça ressaltou a importância da lei, mas também da fiscalização com o apoio das organizações de/para pessoas com deficiência. Destacou também que ainda estamos, de forma geral, muito abaixo do cumprimento das cotas exigidas pela legislação, mas que houveram avanços tais como, mudanças na legislação para facilitar a inserção das pessoas com deficiência no mundo do trabalho. Há alterações nas regras do benefício de prestação continuada (BPC): se a pessoa com deficiência, beneficiária do BPC, exercer atividade remunerada o pagamento de seu benefício será suspenso (e não cessado), podendo ser reativado depois de extinta a relação trabalhista ou a atividade empreendedora ou após o prazo de pagamento do seguro desemprego, sem ter que passar por novo processo de requisição e avaliação no INSS.Graça afirma que o beneficiário contratado na condição de aprendiz pode acumular  o BPC com salário pelo prazo máximo  de dois anos,ampliando suas possibilidades de qualificação e inseção profissional. O seminário foi encerrado com a fala de Pedro Lino, Procurador do Trabalho do Ministério Publico do Trabalho, sobre Assédio Moral. Lino destacou a importância de um ambiente sadio para o bom desenvolvimento do trabalho de todas as pessoas. Acrescentou que, o Ministério Publico do Trabalho vem atuando no combate ao assédio moral, mas que ainda se constitui em uma irregularidade de difícil investigação e constituição de provas.

Para saber um pouco mais o que pensam as pessoas com deficiência sobre a lei de cotas, a Vida Brasil entrevistou o Doutor Marcus Welby e Zenira Rebouças da SUDEF. 

Segue o vídeo. Acesse o link abaixo.

quinta-feira, 24 de julho de 2014



INTERCÂMBIO BRASIL/AFRICA 
Bloco MALAGASY - Madagascar




Foto das meninas da banda Malagasy tocando
instrumentos de percussão (tambores).


A Vida Brasil/projeto Buscapé em parceria com Mestre Bira Reis/Oficina de
Investigação Musical está organizando em Salvador de 20 a 29 de julho um intercâmbio cultural, musical e pedagógico com um projeto de Arte educação de Madagascar. Trata-se da banda Malagasy, um grupo musical composto por 10 jovens mulheres com idades entre 17 e 24 anos, vindas da cidade de Toliara (sul da ilha de Madaqascar).

O projeto é desenvolvido pelas organizações espanholas e malgaxe Bel Avenir e Casa del Água de Côco. O grupo realiza shows e eventos, com base em ritmos do samba-reggae brasileiros e do folclore de Madagascar, além de fazer intercâmbios com outros projetos culturais.

No dia 25, a banda Malagasy vai participar de um show no Centro Histórico do Pelourinho (Praça Pedro Arcanjo) a partir das 19h30, com diversas bandas da Bahia e diversos artistas, tais como o Mestre Bira Reis, a banda Nova Saga, a banda Espiral do reggae e a banda Didá, entre outros.


No dia 26 de julho, na Oficina de Investigação Musical (Rua Alfredo Brito, 24, Pelourinho), a banda Malagasy encontrará a banda Purificayê, de Irará, que também é parte do projeto Buscapé. O evento acontecerá de 10h às 15h.

Além da Vida Brasil, 
do Projeto Buscapé,do Mestre Bira Reis e da Oficina de Investigação Musical  o projeto de intercâmbio intercultural recebe o apoio da banda Saga Nova, Banda Espiral do Reggae e Banda Purificayê.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Vida Brasil na Guiné Bissau

Por: Damien Hazard

Na semana de 8 a 13 de junho 2014, Damien Hazard, da coordenação da Vida Brasil, esteve em Bissau, capital da Guiné Bissau, como representante da direção executiva da Abong – Associação Brasileira de ONGs, para participar de encontros com organizações da sociedade civil deste país africano.

Foto da fachada azul colonial da Casa dos Direitos
em Guiné Bissau.


O convite partiu da organização portuguesa ACEP e da Casa de Direitos, uma rede guineense de organizações da sociedade civil que estava comemorando o seu segundo aniversário. Damien foi palestrante num seminário realizado na sede da Casa de Direitos, no dia 10 de junho, quando apresentou as experiências de redes brasileiras e mais especialmente da Abong.

Fotografia aérea de parede sendo pintada com ilustraçoes
de cenas do cotidiano da antiga presão para jovens.
Situada ao sul do Senegal, no litoral atlântico do Oeste africano, a Guiné Bissau é parte da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), junto com o Brasil, Portugal, Timor leste, e na África o Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, e Cabo Verde. Possui uma população de cerca de 1,6 milhão de habitantes, sendo cerca de um quarto na capital, Bissau. Em 2012, o país sofreu um golpe militar. No mês passado, eleições democráticas foram realizadas e os militares perderam o poder nas urnas, devendo entregá-lo no mês de julho para um novo governo. Essa mudança de regime cria grandes expectativas para toda população assim como para todas as organizações da sociedade civil. Por causa do golpe, os movimentos sociais enfrentam um relativo isolamento nos últimos anos.

O evento realizado na Casa dos Direitos, intitulado “Da emergência das ONG as redes colaborativas, experiências da Guine Bissau e do Brasil” teve como objetivo a troca de experiências, a reflexão e aprendizagem conjuntas na perspectiva da articulação dos movimentos e ONGs da Guiné Bissau e de maior incidência nas questões de desenvolvimento, dos direitos humanos e da cidadania participativa. Inicialmente, foram resgatadas as experiências de articulações da sociedade civil na Guiné Bissau:
Fotografia da sala onde foi realizado o evento. Mesa de abertura
composta por 3 pessoas, entre elas o representante da Vida Brasil,
  • a Solidami nos anos 80 após a independência do país;
  •   a Placon-GB (plataforma de ONGs de Guine Bissau) que foi criada em 2000 num contexto de pós-conflito, chegou a ser membro do FIP (Fórum Internacional de Plataformas Nacionais de ONGs, do qual a Abong faz parte) mas desapareceu nos últimos anos;
  • a Rede de solidariedade, que surgiu de forma espontânea no início desta década e reuniu organizações nacionais e internacionais para tentar se posicionar frente ao novo regime no país.

O país também conta hoje com redes temáticas, voltadas por exemplo para segurança alimentar ou para o monitoramento da exploração de recursos naturais. Foi citado o caso da exploração predatória e retirada de madeiras, por empresas notadamente chinesas, com o apoio de membros do atual governo.

Apesar do contexto político nacional delicado, a sociedade civil da Guiné Bissau demonstra riqueza e dinamismo. Dentre as organizações, devem ser citadas a Liga Guineense de Direitos Humanos, fundada há 22 anos, e que publicou recentemente uma pesquisa intitulada “40 anos de impunidade”. Ou ainda a Ação Cidadã, movimento mais recente, formado principalmente por jovens (apesar deles não quererem dar essa conotação ao movimento): a Ação Cidadã pode ser enxergada como um desses novos movimentos que surgiram nos últimos anos em diversos países e que buscam novas formas de atuação e de organização, em prol de uma democracia mais direta e de uma maior horizontalidade na representação. Assim como os estudantes do Chile, os indignados da Espanha, Y´en a marre do Senegal, Occupy nos Estados Unidos e no Canadá, ou ainda os movimentos revolucionários de juventude da África do Norte.

Fotografia da sala do seminario, com explanaçao do
representante da Vida Brasil, Damien Hazard.
A experiência brasileira suscitou um grande interesse. Damien apresentou a diversidade da sociedade civil brasileira através de diversos olhares, estatísticos, históricos e políticos, para chegar a uma reflexão sobre o papel das organizações e suas estratégias de incidência política num contexto em evolução caracterizado pelas disputas ideológicas, econômicas e políticas. Descreveu o percurso histórico da Abong, desde sua criação em 1991 até os dias atuais, com as mudanças contextuais, políticas e estruturais que a caracterizaram.

No debate que seguiu, organizações guineenses questionaram a política atual de cooperação brasileira, e criticaram a atuação do Brasil, com a ação de grandes empresas brasileiras, notadamente da construção civil, da mineração e do agronegócio, e seu efeito nefasto sobre os direitos humanos das populações locais. Um caso emblemático é o programa Prosavana, em Moçambique. Foi ressaltada a necessidade de maior articulação entre os movimentos sociais guineenses, africanos e brasileiros.


Fotografia do lançamento com varias pessoas
conversando e a parede pintada com ilustrações
do cotidiano da prisão ao fundo.
O seminário foi encerrado com o lançamento de uma exposição de fotografias do moçambicano Mauro Pinto, e de um livro sobre a história do espaço da Casa de Direitos. A sede da Casa de Direitos é uma antiga prisão para crianças e adolescentes em conflito com a lei. Nas paredes internas, jovens pintaram cenas da história do lugar, para melhor valorizar a memória do lugar, mas também expressar a resistência do povo guineense e das suas organizações representativas. As belas e trágicas fotos do jovem e renomado fotógrafo Mauro revelaram a solidão de outras crianças, lá de Moçambique, presas em uma prisão e em um hospital psiquiátrico.

Fotografia do representante da Vida Brasil
com os membros da Federaçao das Associaçoes
de defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiencia
 FADPD GB
Damien aproveitou os dois dias seguintes para encontrar organizações, e mais especificamente de pessoas com deficiência, depois de um convite no encontro na Casa dos Direitos. No dia 11 de junho, reuniu-se com membros da FADPD/GB (Federação das Associações de Defesa e Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência): a presidenta Filomena de Barros Said Sá, os representantes de organizações de pessoas com deficiência física (Spencer Gomes), de cegos (Augusto Simão) e de surdos (José Augusto Lopes). Algumas pessoas já conheciam o trabalho da Vida Brasil. De forma geral, as organizações demonstraram interesse em estreitar as relações com organizações brasileiras. Um primeiro encontro virtual deve ser realizado.

Fotografia do representante da Vida Brasil com representantes
da Associação de Surdos de Guiné Bissau
No dia 12, Damien visitou a AS-GB (Associação de Surdos de Guiné Bissau) e a escola para surdos. Criada em 2000 e legalizada em 2005, a AS-GB visa a inclusão social de pessoas com deficiência visual através da sua capacitação e formação na área do ensino especial. A escola para crianças e adolescentes surdos está inserida numa escola pública, mas apresenta condições precárias de funcionamento. Em seguida, Damien visitou e impressionou-se com a nova sede da escola e da associação. Concebida com requisitos de acessibilidade, a sede estende-se numa área de cerca de 7.000 m². O projeto prevê a educação de centenas de crianças e adolescentes. Assim como os representantes da Federação, a AS-GB manifestou interesse pela aproximação com organizações brasileiras de surdos. A AS-GB contribuiu diretamente para o surgimento de uma “língua gestual guineense” que em muitos aspectos difere da Libras- Língua Brasileira de Sinais. José Augusto Lopes explica que a língua gestual guineense foi concebida levantando sinais usados por surdos das diversas regiões do país. Como muitas palavras não tinham sinais correspondentes, crianças surdas foram reunidas e definiram os sinais. É o caso do sinal atribuído à palavra Brasil. Em vez de uma mão aberta descendo tremendo que representa a bandeira do Brasil, como na Libras, o sinal atribuído ao Brasil é do polegar puxando de dentro para fora os dois dentes da frente  (incisivos do maxilar superior). Uma lembrança aos dentes de Ronaldinho Gaúcho.


terça-feira, 3 de junho de 2014

18 anos de muita história... 18 años y muchas historias...18 ans et beaucoup d'histoires...18 years and many stories

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Descrição da imagem: ilustração colorida em fundo preto contendo vários rostos de homens, mulheres, crianças, indígenas, pessoas com deficiência visual, entre outras, representando a diversidade humana. Fim da descrição.
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Descripción de la imagen: ilustración en colores sobre un fondo negro, que contiene varios rostros de hombres, mujeres, niños, indígenas, personas con discapacidad visual, entre otros, que representan la diversidad humana. Final de la descriptión.
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Description de l´image: illustration coloriée en fond noir contenant plusieurs visages d´hommes, de femmes, d´enfants, de personnes indigènes, de personnes avec un handicap visuel, entre autres, représentant ainsi la diversité humaine. Fin de la description.
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Image description: color illustration on black background containing various faces of men, women, children, indigenous people, people with visual disabilities, among others, representing human diversity. End of description.


18 anos de muita história...

No dia 03 de junho de 1996 nascia a Vida Brasil. Sua missão: valorizar e fortalecer, por meio da educação e da participação, indivíduos e grupos socialmente vulneráveis e excluídos, contribuindo para a construção de uma sociedade sustentável, inclusiva e democrática. A organização completa hoje 18 anos. São 18 anos de muita história, muitas conquistas, realizações e de luta em defesa dos direitos humanos.

Ao longo dos próximos meses, preparamos algumas ações e contamos com a sua presença. Em breve divulgaremos a data e o local da seção especial que faremos na Câmara de Vereadores de Salvador para comemorar os nossos 18 anos. Comemore essa trajetória com a gente! Registre aqui seu depoimento!

18 años y muchas historias...

El día 03 de Junio del ano 1996 nació Vida Brasil. Su meta: valorizar y fortalecer por medio de la educación y de la participación, los individuos y grupos socialmente vulnerables y excluidos, contribuyendo a la construcción de una sociedad sostenible, inclusiva y democrática. La organización cumple hoy 18 años. Son 18 años de mucha historia, muchos logros y mucha lucha para la defensa de los derechos humanos. 

En los próximos meses vamos a preparar algunas acciones y esperamos contar con su presencia. En breve divulgaremos la data y el lugar de la sesión especial que haremos en la "Câmara Municipal de Salvador" para celebrar nuestros 18 años. Celebremos esta trayectoria juntos ! Participe, dejando su testimonio aquí !

18 ans et beaucoup d'histoires...

Le 3 juin 1996 est née Vida Brasil. Sa mission : valoriser et renforcer, par le biais de l’éducation et de la participation citoyenne, les individus ou groupes socialement vulnérables et exclus, en contribuant ainsi à la construction d’une société durable, inclusive et démocratique. L’organisation fête aujourd’hui ses 18 ans. 18 années d’histoires, de conquêtes, de réalisations e de  lutte en défense des droits humains.

Nous avons préparé plusieurs évènements durant les prochains mois et nous comptons sur votre présence! Nous communiquerons très prochainement la date et le lieu de la session spéciale que nous organiserons au siège du Conseil Municipal de Salvador pour la commémoration de nos 18 ans.
Venez célébrer cette histoire avec nous ! Participez et laissez un témoignage!

18 years and many stories

The 3rd june 1996 was born Vida Brasil. His mission : value and strengthen, by the education and participation way, individuals and groups who are socially vulnerable or excluded, so by contributing to the construction of a sustentable, including and democratic society. The organization is now celebrating its 18 years old. That’s 18 years of history, conquests and fulfillment in the fight and defense of human rights. 

We prepared several events for next months, so we count on your presence! We’ll communicate you dates and place of special session that we are organizing within the "Câmara Municipal de Salvador" for our 18 years celebration. Let’s come to celebrate our history with us! Participate by your testimony!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Assine a petição por um novo Marco Regulatório para as Organizações da Sociedade Civil


Prezadas Associadas,

A Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) lançou uma petição on-line pela aprovação do Projeto de Lei 7168/2014. É o momento da sociedade civil organizada se unir para mostrar sua força e mobilização! O PL propõe avanços significativos na garantia de segurança jurídica e transparência para a sociedade civil brasileira nos contratos com o poder público e é um passo importante na construção de um marco regulatório que favoreça a atuação das organizações.

O abaixo-assinado está construído na plataforma Avaaz, partindo de uma estratégia de divulgação do tema nas redes sociais para mobilizar organizações e cidadãos na luta por um marco regulatório que reconheça o valor imprescindível do exercício da cidadania ativa e consolidação da democracia brasileira. Compartilhem com outras organizações e ativistas! Enviem para suas listas de email e compartilhem em suas redes sociais! O Marco Regulatório é luta conjunta de toda sociedade civil organizada!

> CLIQUE AQUI PARA ASSINAR A PETIÇÃO E APOIAR AS OSCs BRASILEIRAS

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A educação em Itaparica e no Brasil: estatísticas que ocultam mais do que revelam

Artigo originalmente publicado no "ICAE Virtual Seminar: Education Post 2015"
Por Alex Hercog
Assessor de Comunicação / Relações Públicas da Associação Vida Brasil

A educação em Itaparica e no Brasil: estatísticas que ocultam mais do que revelam

Escola e suas ilhas de desafios
Ilha de Itaparica, município de Vera Cruz, Bahia, Brasil. Para chegar até lá, partindo de Salvador, é preciso atravessar de lancha a Baía de Todos os Santos, o que leva cerca de 50 minutos. Desembarcando em Mar Grande, é necessário seguir de automóvel por mais alguns minutos para, enfim, se chegar a uma de suas praias, cujo nome manterei em sigilo por questões éticas.

No final de 2013 estive em uma escola pública estadual dessa praia, na Ilha de Itaparica, com uma vista privilegiada para um infinito mar da costa. Na entrada, os estudantes pintavam o muro com desenhos e trechos de poesia. Fui bem recepcionado e, no final, tive a oportunidade de conversar em particular com a diretora.

Não demorou muito para a fala da professora se transformar em lamentação, se queixando da falta de recursos ou do mau uso dos investimentos. Ela admitia que o nível de instrução de parte dos alunos não era satisfatório, até mesmo para os que já estavam em séries mais avançadas. Segundo ela, muitos estudantes chegavam ao ensino médio sem saber escrever direito ou resolver problemas simples de matemática.

Mesmo sem ter condições de cursar determinadas séries, os alunos eram aprovados. De um lado, a pressão do Governo do Estado, que assedia os colégios: a aprovação evita a necessidade de abrir novas vagas, além da economia de um ano de custos com o aluno. Do outro lado, a própria complacência da escola, que acredita que é melhor o jovem concluir os estudos – mesmo com déficit de aprendizado – do que ser reprovado e, provavelmente, abandonar o colégio.

Para muitos desses jovens, a escola é o único suporte que eles têm. De condições sociais precárias, boa parte tem se envolvido com o tráfico de drogas. Meninos de 13, 14, 15 anos em diante, estão abrindo mão dos estudos, seduzidos pelas promessas do tráfico: dinheiro, respeito e proteção de sua turma, além do status desejado por qualquer jovem e que é viabilizado pelo dinheiro advindo da venda de drogas. Entre o trabalho no tráfico com suas vantagens a curto prazo e os estudos, muitos têm escolhido a primeira opção.

Com poucas possibilidades de agir, a escola cumpre o seu papel e convoca os familiares dos meninos que se encontram nessa situação para comunicá-los – de forma sutil, para não causar constrangimento. Segundo a diretora do colégio: “entra por um ouvido e sai pelo outro”. Se referindo à reação dos pais.

Antes de qualquer conclusão premeditada, ela justificou. Essas famílias vivem em condição de pobreza. São pais e filhos que muitas vezes vivem com um salário mínimo ou auxílios governamentais como o “Bolsa Família”. De repente, os pais presenciam o filho chegar em casa trazendo um quilo de feijão, arroz, carne, leite. Enfim, com produtos básicos que eles dependem. Qual seria a reação de um pai e de uma mãe? Recusar? A emergência da situação é preenchida com o imediatismo que o dinheiro do tráfico proporciona. Os pais fingem que não sabem de nada. E os filhos se distanciam cada vez mais do ambiente escolar. Reprová-los seria a solução? Para a escola, não. É melhor que esse jovem tenha um diploma de formação e a possibilidade de acolhimento no colégio, do que agir com o rigor e acabar por afastá-lo ainda mais. A escola se mostra impotente diante dos rumos de parte de seus alunos. Por isso, se não consegue resolver, ao menos tenta reduzir os danos causados pelo caminho que o jovem aceitou percorrer. Essa é a situação da escola localizada em uma das praias da Ilha de Itaparica, de acordo com o relato de sua diretora.

Evasão escolar, investimentos e qualidade de ensino no Brasil
De acordo com o Relatório de Desenvolvimento 2012, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil possui uma taxa de evasão escolar de 24,3%. Na América Latina, só fica à frente de Guatemala (35,2%) e Nicarágua (51,6%). Dos que abandonam a escola, 93,75% pertencem à rede pública de ensino.

Em relação à taxa de analfabetismo, o número de jovens acima dos 15 anos, que não concluiu a alfabetização caiu de 12,4% em 2001 para 8,7% em 2012, de acordo com o IBGE. Ainda analisando alguns dados, pode se destacar o fato de que o Brasil é um dos países do mundo que mais aumentou seu investimento em educação. Entre 2005 e 2009, os gastos por aluno na educação primária e secundária cresceram 149%, segundo a OCDE. No total, os gastos do país com educação representam 5,5% do PIB, quando o recomendado pelo Plano Nacional de Educação é de no mínimo 6,23%.

Na contramão dos dados, uma pesquisa publicada em 24.03.2014, pelo Instituto Data Popular, em parceria com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo traz informações preocupantes. De acordo com a pesquisa “Qualidade e Educação nas escolas estaduais de São Paulo”, 46% dos alunos afirmaram terem sido aprovados sem aprender a disciplina. Já 75% dos estudantes e 94% dos pais são contra a aprovação dos alunos que obtiveram notas insuficientes e abaixo do exigido para avançar de série.

O Brasil é uma Ilha
Confrontando as estatísticas sobre o panorama educacional no Brasil com as experiências pessoais vividas na Ilha de Itaparica, é possível identificar relações entre uma escola na praia do município baiano de Vera Cruz e escolas na maior cidade do Brasil, São Paulo. Os dados de aprovação não refletem a qualidade da educação. Sucesso em índices de alfabetização ou de conclusão dos ensinos fundamentais e médio não significa sucesso na formação dos estudantes.

Nota-se, no entanto, que essa crítica é recorrente em diversos países. A busca para se atingir os Objetivos do Milênio, que propõem que até 2015 todas as crianças tenham concluído o ensino básico mas, sobretudo, o desejo de elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que considera o número de matriculados e a não-reprovação, tem feito com que se valorize muito mais as estatísticas, em detrimento da qualidade da educação.

A necessidade do cumprimento de metas tem feito os diversos governos (federal, estaduais e municipais) a forjarem uma realidade, apenas para produzirem números. Entre as Secretarias de Educação e os estudantes, estão as escolas, que se mostram incapazes de superar esse problema. São impotentes para promover tais mudanças, dentro do sistema exigido. E, como se não bastasse, ainda têm o desafio de impedir a evasão escolar e de cumprir o seu papel básico: educar. Os problemas externos, como a pobreza da família dos jovens e o assédio do tráfico de drogas tornam ainda mais complexas as dificuldades enfrentadas pelas escolas, seus diretores, professores e funcionários. O cenário não é muito animador. Nem nas nossas mais belas ilhas!

Fontes: