terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Retrospectiva 2015: o ano da Vida Brasil

Em 2015 a Vida Brasil estreitou os laços com a África; fortaleceu o Fórum Social Mundial; realizou assessorias para organizações de pessoas com deficiência; defendeu políticas de direitos humanos e para crianças e adolescentes; deu continuidade na articulação de empreendimentos de Economia Solidária; e contribuiu com o movimento pela democratização da comunicação.

Seminário Internacional "Diálogos Impertinentes: o FSM na construção de um outro mundo possível"


Fórum Social Mundial
2015 começou cedo. Nas primeiras semanas do ano a equipe já estava pronta para, junto com o Coletivo Baiano do Fórum Social Mundial (FSM), organizar o Seminário Internacional preparatório para o Fórum. Foram cerca de 250 pessoas que participaram do evento, com representantes de mais de 130 organizações de diversos estados, além de convidados internacionais.

Túnis,Tunísia - Fórum Social Mundial
Em março, foi a vez de embarcar rumo a Túnis, capital tunisiana que sediou o FSM 2015. Junto com a delegação baiana, composta por mais de 40 pessoas, a Vida Brasil participou das diversas atividades do Fórum, inclusive realizando uma roda de diálogo que discutiu os “Desafios dos movimentos para implementação de políticas inclusivas e de acessibilidade”. A Vida Brasil esteve na coordenação da delegação baiana.

No retorno ao Brasil, o Coletivo promoveu um novo seminário, para apresentar à sociedade as experiências e discussões trazidas da Tunísia, além de entregar para o poder público o relatório da participação da delegação baiana no FSM. O final do ano também foi marcado pela realização de um novo Seminário ligado ao FSM, dessa vez sediando em Salvador a reunião do comitê internacional do Fórum, com a Vida Brasil à frente desta organização.


Manual de Boas Práticas (clique para ampliar)

Publicações e Assessorias na África
Guiné-Bissau
Em maio, a Handicap Internacional lançou o manual de “Boas Práticas na Melhoria da Acessibilidade aos Serviços na Ilha de São Vicente”. O material foi resultado do trabalho de consultoria desenvolvido por Heron Cordeiro (coordenador do programa de Acessibilidade), que esteve em Cabo Verde diagnosticando as condições de acessibilidade em espaços públicos nas ilhas de São Vicente, Santiago e na capital Praia.

Na mesma época, com base numa viagem de formação efetuada no final de 2014 por Damien Hazard (Coordenador Geral) em Marrocos, foi criado o “Guia metodológico sobre técnicas de incidência, desenvolvimento inclusivo e animação participativa”, voltado para organizações ligadas às pessoas com deficiências. O material foi produzido pela Vida Brasil, junto com o Coletivo Marroquino para Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

Souss-Massa, Marrocos
Em junho, a Vida Brasil viajou novamente ao continente africano, desembarcando na Guiné-Bissau. Damien percorreu algumas cidades da capital e do interior com o objetivo de elaborar um projeto de fortalecimento da sociedade civil junto com a Federação Bissau-Guineense de Organizações de Pessoas com Deficiência e a Handicap Internacional. O projeto acabou sendo selecionado para receber apoio financeiro.

Em novembro, novo retorno ao Marrocos, para elaborar um projeto piloto de inclusão escolar de crianças e adolescentes com deficiência no ensino público secundário no sul do país africano, para a Handicap International e Unicef.

Realização e Participação em eventos do movimento social
As relações internacionais da Vida Brasil tiveram continuidade durante todo o ano. Em setembro, com entidades parceiras, promoveu o Dia de Ação Global pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A Vida Brasil também estava em Nova Iorque na Assembleia Geral da ONU, na época do lançamento das ODS. Em dezembro, Damien esteve em Paris participando de atividades ligadas à COP-21.

Lançamento do FIP, em Paris

Na oportunidade, foi legalizado o FIP – Fórum Internacional de Plataformas Nacionais de ONGs. O Brasil participou dessa criação, com a participação da Abong, representada pela Vida Brasil. A institucionalização da FIP significa a afirmação no âmbito planetário de um tipo de atores que já existem há mais de 50 anos, mas que não tinham uma representação no âmbito global.

Marcha contra o genocídio do povo negro
A Vida Brasil também foi para as ruas, como nos atos Contra a Redução da Maioridade Penal; na Marcha Contra o Genocídio Negro; na passeata pelo Dia da Consciência Negra; dentre outras. Também esteve em eventos, como em seminários ligados à acessibilidade, defensoria pública, urbanismo, movimento negro, gênero, Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, Economia Solidária e direito à comunicação. E também participou de audiências públicas para a elaboração do PDDU, além de contribuir com as propostas apresentadas pela sociedade civil.

Economia Solidária
No âmbito da Economia Solidária, a Vida Brasil continuou apoiando a articulação de diversos empreendimentos, a exemplo da Rede de Alimentação. Também participou da coordenação do Fórum Baiano de Economia Solidária, além de atuar em diversos espaços de construção política do movimento, como no Conselho Nacional de Segurança Alimentar.

Atividade realizada na UNEB, durante a Semana pela Democratização da Comunicação


Democratização da Comunicação
O envolvimento da Vida Brasil no movimento pela democratização da comunicação ganhou força em 2015. Já em janeiro reuniu midialivristas e organizações e criou o CBCom – Coletivo Baiano pelo Direito à Comunicação, que durante todo o ano realizou formações e articulação política da sociedade civil ligada ao direito à comunicação.

O momento marcante foi a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, em outubro, promovendo atividades em seis municípios baianos. Além disso, esteve presente em diversos encontros estudantis em Salvador e no interior, ministrando oficinas e rodas de diálogo.



2016
No próximo ano será lançado um material resultado do projeto de medição dos efeitos da participação política de pessoas com deficiência. Aplicado em 2015, financiado pela Fundação Internacional de Pesquisa Aplicada sobre Deficiência (FIRAH) e desenvolvido em parceria com a Handicap Internacional, Ciedel (França) e Cirris (Canadá), o trabalho foi dedicado à sistematização das experimentações de diversos instrumentos de medição da participação individual e coletiva de pessoas com deficiência.

Com o sentimento de missão cumprida, mas reconhecendo a responsabilidade que o contexto sócio-político exige, estamos nos despedindo de 2015 já pensando no novo ano que começa. Que 2016 seja um ano de fortalecimento da sociedade civil e respeito aos direitos humanos. Seja na sua sede, nos seminários, nos espaços institucionais, na internet ou nas ruas, a Vida Brasil estará presente, construindo com diversas pessoas e organizações um mundo mais sustentável, inclusivo e democrático.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência é apresentada em Salvador com oficinas de Cordel

Chega a Salvador a oficina “Uma vida igual para todos no compasso do Cordel”, com o intuito de difundir a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. A Convenção foi incorporada à legislação brasileira em 2009, com equivalência de emenda constitucional.

[inicio da descrição] cartaz com fundo texturizado. Na lateral esquerda lê-se "salvador". Na parte superior lê-se em letras marrons "Convenção das pessoas com deficiência em literatura de Cordel". Abaixo, há uma xilogravura - de autoria de Lara Brener - em preto e branco com três pessoas: um homem em pé tocando violão, uma mulher em cadeira de rodas dançando com um outro homem que está em pé. Abaixo, lê-se as informações: Onde? Auditório do PAF III da UFBA - Rua Barão de Jeremoabo, s/n, campus universitário de Ondina, Salvador-BA. Quando? 11/12/2015. Hora? 14h às 17h. Inscreva-se: cordelsalvador@libris,com..br. Saiba mais sobre a convenção: pessoacomdeficiencia.gov.br/app/publicações
[fim da descrição]


A oficina combina palestra e apresentação em literatura de cordel sobre o tema. Em Salvador, a oficina será realizada no dia 11 de dezembro, das 14h às 17h, no Auditório PAF III da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O evento também tem o objetivo de, com metodologias lúdicas, arte, poesia e música, multiplicar formadores de opinião para o combate ao preconceito.

A iniciativa é da Secretaria de Direitos Humanos do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Para o secretário Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antonio José Ferreira, "com essas oficinas, queremos ampliar a conscientização dos direitos da pessoa com deficiência e integrá-las mais à sociedade”.


PROGRAMAÇÃO:

"Uma Vida igual para todos no compasso do Cordel"em Salvador

Data: 11 de dezembro de 2015

Horário: 14h

Local: Auditório do PAF III da Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Endereço: Rua Barão de Jeremoabo, s/n, Campus Universitário de Ondina. Salvador - BA.

Entrada gratuita. É necessário se inscrever pelo e-mail cordelsalvador@libris.com.br


A CONVENÇÃO

Com o objetivo de assegurar os direitos das pessoas com deficiência, o Governo do Brasil ratificou, por meio do Decreto Federal n° 6.949, de 25 de agosto de 2009, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo. Entre os princípios da Convenção estão o respeito pela dignidade inerente, a plena e efetiva participação e inclusão na sociedade, a igualdade de oportunidades e a acessibilidade. Em 2012, foi editada a Convenção no formato de literatura de cordel, poesia popular composta por rimas e estrofes, para leitura ou canto. Essa publicação traduz o conteúdo da Convenção de forma lúdica e serve como apoio para a apresentação das oficinas no projeto “Uma vida igual para todos no compasso do Cordel”.

Acesse o link da Convenção e outras publicações da Secretaria de Direitos Humanos, clicando aqui.  
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ASSESSORIA DE IMPRENSA:

Ex-Libris Comunicação Integrada: (61) 3264-6089

Jamile Rodrigues: brasilia@libris.com.br -(61) 9880-1337
Emiliana Rodrigues: emiliana@libris.com.br – (61) 8276-1916
Guilherme Costa: guilherme@costa.com.br – (61) 8209-1607
Bruna Hercog - bhercog@gmail.com - (71) 98864-1906

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A Vida Brasil em Marrocos

A Vida Brasil esteve em Marrocos de 8 a 18 de novembro de 2015, realizando uma consultoria para a organização Handicap International e para a UNICEF. O trabalho, conduzido por Damien Hazard, consistiu na animação e facilitação de um processo participativo para elaboração e redação de um projeto piloto de inclusão escolar de crianças e adolescentes com deficiência no ensino secundário na região de Souss-Massa, no sul do país norte-africano. 



A concepção do projeto começou pela realização de um diagnóstico da situação e dos entraves ao processo de escolarização de alunos e alunas com deficiência, através de visitas a colégios, escolas primárias e associações; além de reuniões e oficinas com as autoridades públicas no âmbito da educação. Com base nestas informações, foi construído o projeto, que pretende não só incluir de forma pioneira  pessoas com deficiência em colégios na região, como também servir de referência nacional para a aplicação de um modelo de inclusão escolar em todo o país.



Confiram mais fotos, clicando aqui.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Apoio à Marcha Nacional das Mulheres Negras

No início desse mês, o "Novembro Negro", foi divulgada uma pesquisa que indica que de 2003 a 2013 o número de mulheres negras mortas no Brasil cresceu 54%. Em 2013 foram 2.875 mulheres negras assassinadas no país.

O número de jovens negros também aumentou. Somente em 2012, 29.916 jovens foram assassinados, sendo que 26.603 eram negros. Filhos de mães negras.



As mulheres negras. As últimas na escala de valorização social, dentro de uma sociedade machista e racista.

As mulheres negras. As que não estão nos programas de auditório, nas novelas, nas campanhas publicitárias, nem nos telejornais. As que não estão na Câmara, nem no Congresso.

As mulheres negras. As que não estão nos altos cargos das empresas. As que não estavam nas universidades. E, por tudo isso e além disso, são as que mais sofrem com a violência doméstica e social.

As mulheres negras. As que têm que lidar contra o machismo e contra o racismo. As que são criadas pela sociedade para serem objetos sexuais; a mesma sociedade que irá dizer que a cor, o cabelo e a identidade da negra são feios. As que têm um desafio duplo na (des)construção e afirmação de sua personalidade.

As mulheres negras. As que mais morrem. As que mais enterram filhos.



Por elas, a Vida Brasil apóia a "Marcha Nacional das Mulheres Negras". No dia 18 de Novembro, a marcha irá ocupar as ruas de Brasília, trazendo mulheres de todo o Brasil. Esperamos que o simbolismo da marcha e a mobilização gerada possam acenar para um futuro em que o direito fundamental à vida e ao bem viver seja garantido para a mulher negra.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Salvador sediou Seminário Internacional que discutiu os rumos do Fórum Social Mundial

Foi realizado no dia 29 de outubro de 2015, em Salvador, o seminário internacional “Diálogos impertinentes: o Fórum Social Mundial (FSM) na construção de um outro mundo possível”. O evento contou com a participação de membros do conselho internacional do FSM, além de representantes do movimento social brasileiro e estrangeiro, como da Tunísia, Palestina e Curdistão.

Diálogos Impertinentes: O FSM na construção de um outro mundo possível

O evento reuniu cerca de 150 pessoas, que participaram das três rodas de diálogo que aconteceram durante todo o dia. No primeiro momento, foi apresentado um panorama de lutas pelo mundo. Questões como direito à moradia e o genocídio da população negra na Bahia foram abordadas pelos participantes.

Do ponto de vista global, o ativista Ismail Radwan discutiu a situação da Palestina, frente à negação de direitos e violência promovida pelo governo de Israel. Para ele, os palestinos estão sofrendo um massacre e precisam de apoio internacional. Na oportunidade, a plenária também citou o caso do brasileiro-palestino Islam Hamed, que desde 2010 está preso a pedido de Israel, acusado de ter atirado pedras contra colonos israelenses.

Gran Ozcan, do Curdistão

Representando o movimento social do Curdistão, estiveram presentes Yilmaz Orkan e Gran Ozcan, que apresentaram a grave situação do povo curdo, que ao mesmo tempo em que precisa evitar o avanço do Estado Islâmico na região, precisa resistir às ofensivas do governo da Turquia, que não admite a independência e autonomia do povo curdo.

Na parte da tarde, o foco do evento foi debater o presente e futuro do Fórum Social Mundial. Foram discutidas questões ligadas à necessidade de reestruturação do Conselho Internacional do FSM; à reinvenção do próprio Fórum; e os novos rumos e desafios que o FSM deve superar para continuar sendo um espaço de articulação dos movimentos sociais por todo o mundo.

Membros do Comitê Organizador do próximo FSM 2016, que será realizado no Canadá


Por fim, os organizadores do próximo Fórum Social Temático de Porto Alegre – que irá comemorar os 15 anos de FSM – e do FSM 2016, no Canadá, apresentaram os preparativos e propostas para esses próximos eventos.

Além das discussões sobre o futuro do FSM e os panoramas de lutas trazidos pelos participantes, o seminário também contou com diversas apresentações artísticas. Um momento emocionante ocorreu logo na abertura, com o espetáculo de dança promovido pelos artistas Cabral e Rocha, da ABDCR. Quem também se apresentou foram as poetisas Ametista Nunes e Ana Suely, além dos músicos Aloysio Ribeiro, Makonnen Tafari o cantor Kamaphew Tawá, que esteve no FSM da Tunísia, em março desse ano.

Espetáculo de dança com Cabral e Rocha

Para Damien Hazard (Vida Brasil e Abong), o Seminário foi um importante momento que propiciou a troca de experiências e reflexões entre pessoas e movimentos diversificados, atuando em distintos países e regiões do mundo, com lutas e causas diversas. Segundo ele, “o evento contribuiu para sensibilizar cada um(a) de nós sobre outras problemáticas sociais e ao mesmo tempo aproximou as pessoas, fortalecendo o sentimento de estarmos juntas/os na construção de um outro mundo, socialmente justo e ambientalmente sustentável”.

O seminário foi promovido pelos Coletivos Baiano e Brasileiro do Fórum Social Mundial e pelo Conselho Internacional do Fórum, com os apoios da Abong (Associação Brasileira de ONGs), CTB, CUT, Governo da Bahia e Associação Vida Brasil.


Registros
O Seminário foi transmitido ao vivo para todo o mundo, incluindo a reunião do Conselho Internacional, que ocorreu nos dias 30 e 31 de outubro. Confiram:

Seminário: parte 1parte 2parte 3parte 4parte 5 
Reunião do Conselho Internacional: parte 1parte 14

Confiram as fotos do evento:


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Seminário em Salvador reúne movimento social internacional

No dia 29 de Outubro, das 9h às 18h, representantes do movimento social brasileiro e estrangeiro participarão do seminário “Diálogos Impertinentes: o Fórum Social Mundial (FSM) na construção de um outro mundo possível”. O evento, gratuito, irá ocorrer durante todo o dia e promoverá o diálogo entre os membros do Conselho Internacional do Fórum e representantes da sociedade civil baiana e brasileira.



O objetivo do encontro, que será realizado no hotel Vilamar (Amaralina), é fazer uma reflexão conjunta sobre a reinvenção do FSM e do seu Conselho Internacional, diante da atual conjuntura planetária. O debate irá recolher contribuições do movimento social brasileiro para a reunião fechada do Conselho, que acontecerá nos dias 30 e 31, também em Salvador.

O seminário contará com três rodas de diálogo. A primeira irá debater as conjunturas regionais e a solidariedade entre os povos, contando com representações curdas e palestinas. Na parte da tarde, a segunda mesa discutirá os atuais desafios do FSM e do processo de reestruturação do Conselho Internacional.

Alaa Talbi (quarto à direita), do movimento social tunisiano também estará presente. Recentemente a sociedade civil da Tunísia ganhou o Nobel da Paz, pela participação na Primavera Árabe e a luta por democracia

A última mesa de debates contará com membros do comitê organizador do Fórum Social Temático, que será realizado de 19 a 24 de janeiro, em Porto Alegre; e do Fórum Social Mundial 2016, que acontecerá em agosto, na cidade de Montreal, no Canadá. Os organizadores irão apresentar o processo de construção desses dois eventos.

Ao menos 50 participantes de fora da Bahia já estão confirmados, além de representações da América Latina, Canadá, Europa e África. Há a expectativa de contar com representantes do movimento social da Tunísia, que recentemente ganhou o Nobel da Paz pelo movimento de luta por democracia que ficou conhecido como “Primavera Árabe”.

Parte da delegação brasileira no Fórum Social Mundial 2015, realizado na Tunísia, em março.


Para Damien Hazard, coordenador da Vida Brasil, diretor-executivo da Abong (Associação Brasileira de ONGs) e membro do Comitê Internacional, o processo do FSM “está se reinventando na nova conjuntura de transformação acelerada do planeta”. Ele destaca a importância desse Seminário e da reunião do Conselho Internacional acontecerem em Salvador, pois, segundo ele, “a Bahia sempre teve papel importante no FSM e experimentou nos últimos anos um coletivo que soube se reinventar, na sua composição, na sua forma de vivenciar a diversidade e de fazer política, com uma radicalização das suas práticas democráticas”. Damien acredita que o movimento social baiano pode contribuir “com essa busca de ressignificação do FSM”.

O Seminário é promovido pelos Coletivos Brasileiro e Baiano do Fórum Social Mundial e pelo Conselho Internacional do Fórum, com os apoios da Abong (Associação Brasileira de ONGs), CTB, CUT, governo do Estado da Bahia e Associação Vida Brasil.

INSCRIÇÕES

As inscrições, gratuitas, podem ser feitas através do envio de email para seminariofsmsalvador@gmail.com, contendo os seguintes dados: nome, gênero, instituição, cargo/profissão; além de email e telefone para contato.


Mais informações: 71 3322-0711 (Vida Brasil)

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Semana Nacional pela Democratização da Comunicação foi destaque na Bahia

De 14 a 21 de outubro diversos estados do Brasil realizaram ações para promover a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação. Na Bahia, as atividades aconteceram em Salvador, Lauro de Freitas, Conceição do Coité, Vitória da Conquista, Cachoeira e Ilhéus. A articulação no Estado se deu a partir do CBCom – Coletivo Baiano pelo Direito à Comunicação, em parceria com diversas representações, professores e estudantes.


Alex Hercog (Vida Brasil / Intervozes / CBCom)
Para Alex Hercog, membro do CBCom, do Intervozes e da Vida Brasil, a realização da Semana pela DemoCom foi fundamental: “não podemos recuar em relação ao debate do direito à comunicação, sobretudo porque o nosso modelo midiático pouco mudou nos últimos anos”. Para ele, alguns desafios históricos ainda permanecem: “o oligopólio midiático se mantém; o setor continua sem regulamentação; e nunca foi feita uma revisão das concessões públicas, fazendo com que políticos e seus familiares ainda detenham o controle dos meios de comunicação”. Para Alex, outros problemas que precisam ser solucionados são o fim da propriedade cruzada dos meios, uma distribuição mais democrática das verbas de publicidade estatais, e o desenvolvimento de políticas públicas que estimulem a produção alternativa, a diversidade e a descentralização dos meios de comunicação, “para garantir a liberdade de expressão para toda a sociedade e não apenas para poucos grupos” – conclui.

Salvador
     
UNEB/Salvador
A Semana pela DemoCom começou no dia 14 de outubro, com a primeira atividade sendo realizada na sede da Vida Brasil, durante reunião do Coletivo Baiano do Fórum Social Mundial. No dia 15, os organizadores do Encomum promoveram um debate na UNEB sobre “Democratização da comunicação e mídias alternativas”. Participaram a jornalista Ivana Dorali; Yananda Lima e Laura Almeida (Desabafo Social; Carlos Jota (Site Nosso Engenho) e Alex Hercog (Vida Brasil/Intervozes).


No sábado, 17, um encontro cultural realizado no Instituto de Mídia Étnica marcou o dia nacional pela Democratização da Comunicação. O evento contou com exibição de vídeos produzidos pelo Coletivo Tela Preta, sarau de poesia com o grupo Resistência Poética, rap com Trampo MC e convidados, além do lançamento da cartilha “Caminhos para a luta pelo direito à comunicação no Brasil”, publicado pelo Intervozes.

Instituto de Mídia Étnica

 Na quinta (22) foi realizado o debate sobre “Direito à Comunicação, Educação e Terceiro Setor” no campus da Unifacs, com a participação de Alex Hercog (Vida Brasil/Intervozes) e Everton Nova (Rede Mbote). Por fim, na sexta (23), o Instituto de Mídia Étnica (IME) promoveu uma coletiva para apresentar a agenda de comemoração de 10 anos do Instituto. Para Paulo Rogério, coordenador do IME, a Semana pela Democratização da Comunicação tem um simbolismo especial, pois “foi durante a Semana que o Mídia Étnica surgiu e hoje completa 10 anos de existência”.
     
Unifacs / Salvador

Lauro de Freitas
Em Lauro de Freitas, a atividade ocorreu na Base Comunitária da Polícia Militar em Itinga, no município de Lauro de Freitas. O debate girou em torno da representação midiática sobre os jovens da periferia, do controle midiático e da violência. Alguns policiais e cerca de 20 adolescentes participaram da atividade.

Em uma das falas, um soldado lembrou o episódio que ocorreu em 2001, em Salvador, quando a Tropa de Choque da PM invadiu a UFBA (Universidade Federal da Bahia) para dispersar violentamente os estudantes que protestavam contra o senador Antônio Carlos Magalhães. Na época, a TV Bahia, filial da rede Globo e controlada pela família Magalhães, omitiu essa ação dos noticiários, o que fez ativar o debate sobre a concessão pública de tv para políticos e seus familiares.

Itinga (Lauro de Freitas)
 Alguns jovens também relataram a discriminação sofrida no mercado de trabalho por serem moradores de bairros estigmatizados pela grande mídia, sobretudo por programas e jornais policialescos, que representam os bairros periféricos apenas sob a ótica da violência e marginalidade de seus moradores.

Itinga (Lauro de Freitas)
Quem conduziu essa atividade, representando o CBCom, foram Bruna Pegna e Mirian Souza, de 18 anos, que comentou que o principal destaque da roda de diálogo foi “a importância dos jovens refletirem sobre a forma como eles são representados pela mídia e quais as ações que eles podem fazer para se mobilizar e garantir o direito à comunicação”.

Cachoeira
Na cidade de Cachoeira, no recôncavo baiano, o debate aconteceu na UFRB (Universidade Federal do Recôncavo Baiano) e discutiu a “Sustentabilidade das Mídias Alternativas”. Participaram Alane Reis (Revista Afirmativa), Alex Hercog (Vida Brasil/Intervozes), Geilson Gomes (Revista Rever), Thainá Dayube (Sete Artes) e Tássio Santos (Herdeira da Beleza), que apresentaram suas experiências com mídias alternativas, além das dificuldades e soluções para enfrentar o problema de sustentabilidade desses meios.
Alane Reis (centro), Thainá Dayube e Tássio Santos (esq.), Geilson Gomes e Alex Hercog (dir.)

UFRB/Cachoeira
Para Alane Reis, que se formou na UFRB e começou a produzir a Revista Afirmativa ainda na época de estudante, debater a democratização da comunicação é pensar coletivamente a conquista de um direito negligenciado pelo Estado, que é o direito à comunicação e liberdade de expressão. Segundo ela, “falar de democracia plena sempre será utopia, se os principais meios de comunicação pertencerem ao setor privado”. Ela acredita que a profissão de jornalista é fundamental para perpetuar ou combater as violências e estigmas que fazem parte da cultura fundadora do Brasil. Por isso, a importância de incluir Cachoeira na agenda de atividade da Semana pela DemoCom, pois “é importante mobilizar o debate na Universidade e questionar as diretrizes curriculares”, conclui Alane.


Conceição do Coité
Na UNEB/Coité (Universidade do Estado da Bahia), o projeto “Prazer em Conhecer”, promovido pelo professor Moisés Santos, recebeu o professor-mestre Dioclécio Luz (Universidade de Brasília) que participou da palestra “O jornalismo nas rádios comunitárias” e realizou oficinas de “Análise Crítica da Mídia”.

UNEB / Conceição do Coité
Para Moisés, a atividade foi importante para mobilizar a universidade acerca da discussão sobre democracia e direito à comunicação. Segundo o professor, esse debate é quase um tabu na sociedade, por isso a importância de realizar atividades no município: “Mesmo longe dos grandes centros urbanos, ao nosso modo, sob um olhar local e regional, queremos estar juntos e engajados nessa luta nacional”.

Moisés Santos também destacou o debate em torno das rádios comunitárias que, segundo ele, “contribui para democratizar o sistema midiático, apesar dos esforços do Estado e dos políticos para criminaliza-las, além das burocracias que tentam sufocar o movimento”. O professor ainda anunciou que o debate em torno da comunicação pública será central no próximo semestre do curso, destacando que “é imperativo debatermos constantemente o direito à comunicação, que é tão fundamental como o direito à saúde, educação e segurança”.

Vitória da Conquista
No sudoeste baiano, na cidade de Vitória da Conquista, a Revista Gambiarra promoveu a roda de conversa “Qual o papel dos Movimentos Sociais na luta pela democratização da comunicação?”. A atividade ainda contou com a exibição do documentário “Um poquito de tanta verdad", do diretor Jill Freidberg, que discute a relação de mídia e poder, a partir dos acontecimentos ligados ao levante popular ocorrido em Oaxaca (México), em 2007.

Vitória da Conquista
Para Rafael Flores, da Revista Gambiarra, o debate sobre comunicação em Vitória da Conquista ainda é incipiente, por isso que o foco do debate girou em torno dos movimentos sociais e sua participação na luta pela democratização. Rafael destacou que “o bacana foi que a ampla participação possibilitou que o poder público municipal apontasse as formas de ocupação que serão abertas a partir do Canal da Cidadania, que chega a Vitória da Conquista no próxima ano”. Segundo Rafael, a atividade promovida foi além do didatismo, de apenas apontar o que está errado e da necessidade de regulação e regulamentação, “mas também de enxergar soluções práticas e locais”.

Ilhéus
No sul da Bahia, o CACOS (Centro Acadêmico de Comunicação Social) da UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz) incluiu o debate sobre a democratização da comunicação nas atividades da Calourada Acadêmica. No dia 23, a Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social) realizaram a roda de diálogo “Comunicar pra que (m)?”

UESC / Ilhéus
Durante a atividade, foi apresentado aos calouros um panorama sobre o movimento estudantil de comunicação e as principais pautas reivindicadas pelo movimento pelo direito à comunicação. Também foi debatido o uso de mídias universitárias.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

A Vida Brasil na construção da Semana Nacional pela Democratização da Comunicação


De 14 a 21 de outubro, diversos estados irão promover a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação. Na Bahia, a Vida Brasil vem contribuindo na articulação, mobilização e realização de diversas atividades em Salvador, região metropolitana e municípios do interior. Desde o começo de 2015, quando participou da criação do CBCom – Coletivo Baiano pelo Direito à Comunicação, a Vida Brasil vem ampliando a sua participação no movimento pela democratização da comunicação no país.

Por considerar a Comunicação e o papel da mídia fundamentais para a construção democrática e garantia dos direitos humanos, a Vida Brasil decidiu intensificar os esforços na promoção da Semana pela “DemoCom”. Para Alex Hercog, assessor de Comunicação da Vida Brasil, a atual crise política que o país vive exige uma reação dos setores progressistas: “o avanço das pautas conservadoras, a articulação política de setores historicamente anti-democráticos e o próprio recuo do governo federal aumentam a responsabilidade da sociedade civil na defesa e construção de uma democracia efetiva”. Nesse sentido, “democratizar a comunicação é um eixo fundamental na luta do movimento social, já que o oligopólio midiático existente no Brasil é composto, justamente, por empresas e famílias que apoiaram e se beneficiaram da ditadura militar, além de possuir um histórico de criminalização dos movimentos sociais”.

Em 14 de outubro, dia que abre a Semana pela DemoCom, a Vida Brasil irá promover uma roda de diálogo sobre direito à comunicação durante a reunião do Coletivo Baiano do Fórum Social Mundial. Nos demais dias, participará de diversas atividades em Salvador e no interior, como no encontro de comemoração do “Dia Nacional pela Democratização da Comunicação” (17/10, no Instituto de Mídia Étnica); na formação preparatória para o Encomum (15/10, na UNEB/Salvador); e no seminário “Democratização da Comunicação e terceiro setor” (22/10, Unifacs).

A programação completa da Semana Nacional pela Democratização da Comunicação está disponível na página do CBCom:

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Dia de Ação Global pelos ODS é realizado em Salvador

No dia 24 de Setembro, artistas e representantes do movimento social baiano se reuniram na praça Castro Alves, em Salvador, pra comemorar o Dia de Ação Global pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A “praça do povo” recebeu a banda percussiva Purificayê, de Irará, que deu o tom da festa. Junto com os jovens artistas do CRIA, dança, poesia e grafite, o centro de Salvador ficou colorido com arte e iluminado com as velas que simbolizavam o desejo de um novo mundo possível.



Diversos segmentos sociais construíram e participaram do ato. Representantes do movimento da pessoa com deficiência; Economia Solidária; Democratização da Comunicação; sindicalista; movimento negro; ambientalistas; contra os agrotóxicos; e de arte-educação foram alguns dos que estiveram presentes no Dia de Ação Global, estendendo suas faixas e apresentando os Objetivos para o Mundo, a partir de uma perspectiva local.

Cerca de 150 pessoas participaram do ato. Além dos movimentos de Salvador, também estiveram presentes representações dos municípios de Irará, Feira de Santa e Ilha de Maré.



O evento mostrou a força da arte para mobilizar e alcançar a incidência política, necessária para que os ODS sejam pensados localmente, levando em consideração as particularidades e necessidades de transformação específicas.

Saiba mais sobre o evento:

Álbum de fotos:

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Dia de Ação Global pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável é realizado em Salvador


A Abong (Associação Brasileira de ONGs) e o Coletivo Baiano do Fórum Social Mundial, que reúne mais de 30 organizações, irão realizar o ato de mobilização em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A ação global acontece em diversas cidades do mundo no dia 24 de Setembro, véspera da cúpula da ONU (Organizações das Nações Unidas) que aprovarão os 17 ODS para o período de 2015 a 2030.


Em Salvador, o ato irá ocorrer na praça Castro Alves, a partir das 15 horas até o final do pôr-do-sol. Diversos grupos culturais e artísticos irão se apresentar durante a atividade, a exemplo da banda Purificayê, de Irará, além de representantes de diversos segmentos do movimento social, que debaterão os 17 ODS e a sua incidência local.
Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável substituem os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, lançados pela ONU em 2000, cuja vigência expira no final de 2015. Os novos ODS tratam de grandes problemáticas da sociedade: pobreza, desigualdades; segurança alimentar; água e saneamento; educação inclusiva; igualdade de gênero; mudanças climáticas; etc.
Para Damien Hazard, coordenador da Vida Brasil, “todos esses debates, aparentemente distantes das nossas preocupações cotidianas, atingem em cheio a nossa realidade. A Agenda Pós-2015 não é apenas uma agenda internacional, mas também é de abrangência subnacional (estadual, territorial e municipal) e norteará políticas públicas e recursos financeiros”.



O representante da Conen (Coletivo Nacional de Entidades Negras), Gilberto Leal, lamenta a ausência de objetivos diretamente ligados à questão racial, mas compreende que essa pauta está atrelada a diversas metas: “A questão racial, sobretudo no caso do Brasil, é estruturante na sociedade. Por isso que o cumprimento de objetivos como o da redução das desigualdades inevitavelmente passa pelas mudanças de políticas que atingem diretamente a população negra, como a política de segurança pública e a adoção de medidas afirmativas e reparadoras”.
Diversas atividades de mobilização antecederão o ato do dia 24. É o caso do CRIA (Centro de Referência Integral do Adolescente), que está promovendo oficinas com os jovens da organização para debater os ODS e relacioná-los com a realidade local. O resultado das oficinas será apresentado no dia 24.

Jovens do CRIA confeccionando os suportes para as velas que serão acesas no ato


Participam da organização do ato: ADOCCI, Apalba, Afoxé Bamboxê, Associação Manuel Faustino, Coofe, Cooperativa Sonhos Possíveis, Conam, Conen, Coletivo Bahia 21, CESE, CRIA, CTB, ICS, Instituto Palmares, FABS, Fetim, Germen, Rede de Alimentação de Economia Solidária da Bahia UBM, Unegro e Vida Brasil, além de representantes de comunidades tradicionais e do movimento de pessoa com deficiência de Feira de Santana.

Mais informações sobre os ODS:

O que: Dia de Ação Global pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
Local: Praça Castro Alves, av. Carlos Gomes, Centro, Salvador, Bahia.
Horário: 15 às 19 horas
Realização: Abong (Associação Brasileira de ONGs), Coletivo Baiano do Fórum Social Mundial
Inscrição: Gratuita e aberta
Informações: comunicacaovidabrasil@gmail.com / 71 3321-4688