quarta-feira, 3 de junho de 2015

Coletivo Baiano do Fórum Social Mundial apresenta as experiências ocorridas na Tunísia

Foi realizado ontem, 2 de junho, o Seminário “Fórum Social Mundial (FSM) 2015: legados e desafios políticos”. O evento, promovido pelas diversas entidades que compõem o Coletivo Baiano/FSM, teve como objetivo apresentar à sociedade as experiências e discussões trazidas pela delegação baiana que participou do FSM na Tunísia, realizado em março.

Coletivo Baiano do Fórum Social Mundial


A mesa de abertura contou com a presença de integrantes do Coletivo, Margarete Carvalho (Unegro) e Eduardo Zanatta (Centro Público de Economia Solidária), além de Mary Cláudia, representando a SERIN (Secretaria de Relações Institucionais) e Aílton Ferreira, representando a Sepromi (Secretaria de Promoção da Igualdade). Ambas as secretarias receberam o relatório final de participação do Coletivo no Fórum.

Em seguida, Gilberto Leal (CONEN) e Damien Hazard (Vida Brasil e Abong) apresentaram o histórico do Fórum Social Mundial e debateram o seu sentido na atualidade. De acordo com Damien, o FSM precisa se reinventar, mas continua sendo a maior articulação do movimento social planetário em torno da construção de novos paradigmas de desenvolvimento. Já Gilberto destacou a importância que as discussões do Fórum trazem para influenciar nas atuações locais de cada pessoa e organização.

Mesa de abertura: entrega do relatório de participação no FSM


Na sequência, o Seminário se dividiu em 3 blocos temáticos. O primeiro dele tratou das questões LGBT, Gênero e Mulheres. Margarete Carvalho (Unegro) citou as dificuldades dos homossexuais na Tunísia, cujos direitos estão à margem do processo revolucionário. “Os tunisianos dizem para o segmento que primeiro é preciso fortalecer a democracia, para depois discutir a pauta LGBT”.

Flora Brioschi (UBM/Fetim) destacou as experiências de resistência das mulheres árabes, sobretudo as tunisianas, palestinas e saharauis. “Nas diferentes regiões do planeta, a falta de compreensão sobre a desigualdade de gênero leva à negação do acesso a direitos e gera ainda mais violência contra a população feminina”, pontuou Flora.

Mesa "LGBT, Gênero e Mulheres"


Já Gabriel Teixeira (CEN) provocou a plenária sobre as práticas discriminatórias contra homossexuais dentro do próprio movimento social baiano. Para ele, não adianta participar do FSM e adotar um discurso humanitário, enquanto que nos próprios espaços locais se reproduz formas de preconceito e segregação contra os gays.

Na mesa seguinte, de “Enfrentamento ao racismo”, Sirlene Assis (Unegro), Gilbero Leal (Conen) e Cristiano Lima (Afoxé Bamboxê) comentaram a relevância dessa temática dentro do Fórum, com diversas mesas discutindo essa questão. Para Sirlene, a prática do racismo é universal e com muitas similaridades, seja no Brasil, na Tunísia, na Palestina ou nos Estados Unidos. Diante desse cenário, Cristiano acredita que é necessário universalizar a luta e que o FSM foi um ambiente propício para fazer articulações com entidades de outros países que atuam no enfrentamento ao racismo.

Mesa de Enfrentamento ao Racismo


O último bloco de discussão reuniu uma diversidade temática. João Pereira (CONAM/FABS) debateu sobre a questão de moradia, criticando a falta de políticas públicas que garantam o acesso à cidade e à habitação digna. Representando a Rede de Economia Solidária da Bahia, Ana Suely comparou a realidade do Brasil e Tunísia, ressaltando que nos dois países os governos ainda impõem barreiras para a contratação de empreendimentos de Economia Solidária.

Márcia Pinheiro (Comunidade Tradicional e Pescadora) e Eduardo Zanatta (Centro Público de Economia Solidária) apresentaram algumas temáticas ligadas ao meio ambiente, inclusive o conteúdo da oficina “Água é Vida”, promovida pelo Coletivo Baiano no FSM.

Mesa de Democracias, Participação social e Acessibilidade


Para finalizar as mesas de discussões, Wilson Cruz (Abadef) e Maria Helena (Apalba) deram seus depoimentos sobre as atividades de acessibilidade e direitos das pessoas com deficiência. Maria Helena, única albina a participar do Fórum, destacou que a luta por direitos não é exclusividade de quem tem algum tipo de deficiência e que toda a sociedade é convidada a participar do movimento. Para Wilson, o FSM também foi uma oportunidade de trocar experiências exitosas no Brasil com representantes tunisianos e angolanos que participaram das oficinas de acessibilidade.

As artes e cultura também fizeram parte do seminário, que contou com a intervenção poética de Ametista Nunes (Grupo Tortura Nunca Mais) e uma apresentação musical especial do cantor Kamaphew Tawa (Aspiral do Reggae), que também esteve na Tunísia, fazendo um emocionante show em praça pública.

Show de encerramento com Kamaphew Tawa (Aspiral do Reggae)


Para os participantes do Seminário, a expectativa é que a articulação feita entre o movimento social baiano em torno do Fórum permaneça, impulsionando uma mobilização em torno de diversas pautas que estejam ligadas ao FSM e às demandas locais do Estado e do país.

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Confira, também, o álbum de fotos do Seminário, clicando aqui.

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